24 setembro, 2009

Sacerdócio e Responsabilidade

Todos os dias recebo emails, com perguntas ou dúvidas sobre o Caminho que sigo, dentre as campeãs a mais óbvia é "Como eu viro uma Bruxa?", mas hoje li um artigo que reflete bem pelo que passa os caminhantes de muito tempo e os novos caminhantes.

Sacerdócio e Responsabilidade



Estudar Bruxaria alguns meses, talvez até mesmo o tão famoso “um ano e um dia”... Realizar alguns rituais em honra aos Deuses (ou não), praticar alguns feitiços, pendurar um pentagrama no pescoço e vestir uma capa ou as vezes nem mesmo isso – infelizmente para alguns esses atos, das quais os mesmos nem compreendem seu simbolismo, tornam-se atos suficientes para se auto-intitularem sacerdotisas e sacerdotes dos Antigos – quando não suma-sacerdotisas e sumo-sacerdotes Deles.
Alguns ao lerem esse texto poderão questionar e mencionar o fato de que na Bruxaria existem muitos caminhos, muitas sendas e muitas maneiras da mesma ser praticada. E isso sem dúvida é uma verdade irrefutável. Entretanto é indubitável que para se praticar qualquer tipo de Magia, ser bruxa ou sacerdote é IMPRESCINDÍVEL haver responsabilidade, aliada a um real conhecimento sobre o que se está fazendo e sobre o que significa trilhar um caminho espiritual pautado no autoconhecimento e no conhecimento sobre tudo aquilo que nos cerca. MAIS responsabilidade ainda quando se envolve outras pessoas na jornada e quando há estabelecido o dito “vínculo mágico”, isto é, dedicar e iniciar outras pessoas.
Percorri pelo menos quatro anos de estudo e muita prática antes de me auto-Iniciar na Arte. Andei mais algum tempo para receber uma Iniciação em um grupo e somente após muita intimidade, muita compreensão a respeito do meu próximo e dos meus Deuses, tornei-me capaz e senti-me verdadeiramente apto para transmitir a Iniciação e fazer de meus pupilos sacerdotes. Somente ao beirar uma década de Caminhada, estarei recebendo o reconhecimento de minha congregação para atingir o sumo-sacerdócio e me tornar responsável por um Coven e é dessa forma que tem sido com todos os grupos sérios conhecidos que não estão aí simplesmente para aparecer e brincar de fazer feitiço, mas para trazer de volta à tona aquilo que nossos antepassados ajudaram a jogar nas covas e fogueiras: O CULTO AO DIVINO DA TERRA, AOS DEUSES ANTIGOS!
E vejam, estou longe de querer afirmar que tempo é fator indispensável para definir o conhecimento ou a sabedoria de outrem. O fato é que existem coisas que estão estampadas no rosto de quem se expõe e na boca de quem fala – nos atos de quem os comete.
Infelizmente, nossas crenças ainda tem sido alvo de ofensas e chacota pública – agora, nem sempre pelo fato de alguns acreditarem que cultuamos demônios ou deuses antigos – mas sim pelo horror que temos visto ao nos depararmos com pessoas, cujo realmente desconhecemos o verdadeiro objetivo, praticarem “Iniciações em massas”, se auto-proclamarem sumo-sacerdotes em três meses e fundarem covens em duas semanas. Que tipo de seriedade está sendo passada à comunidade, quando essa se depara com esse tipo de prática? Onde se encontra a responsabilidade, a coerência e o discernimento?
Será que essas pessoas sabem o que significa serem sacerdotisas e sacerdotes do Divino? Independente da maneira que essas o chamem: Deusa, Deus, Deuses ou Grande Espírito, o Grande Corpo e Grande Mente Divina Universal faz de seus sacerdotes instrumentos sagrados atuando no mundo, não somente falsos arlequins apresentando rituais que não passam de um show de calouros e um enorme desrespeito àqueles que há muito estão suando, tentando dar uma visibilidade positiva ao Culto. Ser sacerdotisa ou sacerdote significa ser aquela ou aquele que conduzem o ato sacrifical, o sagrado ofício e conhecem profundamente o seu significado. Ministrar esse ato ao próximo demanda IMENSA RESPONSABILIDADE, pois este significa LITERALMENTE alimentar àquele que chega a sua porta e aos seus rituais. E em nome dos Deuses, só podemos servir o melhor – acima de tudo, saber preparar e conhecer o que estamos servindo.
Minha capa sacerdotal, minhas honrarias e meus instrumentos não possuiriam valor algum se não simbolizassem meu rastejar pela lama, meus literais auto-sacrifícios, meu acompanhar da vida e da morte de animais e humanos, o carregar de corpos e caixões, o ministrar de bênçãos às crianças, a enfermos, enamorados e moribundos, minhas antigas e modernas danças aos Deuses de minha Casa, às muitas vezes que conscientemente chorei e que ri com Eles, os meus ritos diários de culto e devoção incondicional Àqueles cujo dedico e entreguei minha vida como instrumento perpétuo e inviolável para Sua atuação no mundo e na minha comunidade.
Ser bruxa(o) ou sacerdote(isa) significa ser mais do que ser mulher ou homem. Significa ser uma extensão viva e consciente da ação da Natureza em carne humana. Significa saber ministrar o sagrado ofício e conhecer sua profundidade e sua necessidade para a continuidade dos ciclos. Não basta falar ou aparecer, é preciso coerência, verdade e acima de tudo RESPONSABILIDADE.
Abençoados sejam por Aqueles que tudo vêem, tudo sabem e jamais se esquecem.








2 comentários:

Reyel disse...

Muito bom o seu texto. Nada deve ser levado e feito de qualquer jeito. Tem que haver sempre estudo somado à reflexão e muita, muita responsabilidade. Tbm acho que existe muito mau exemplo e falta de seriedade por aí degredindo a imagem da Arte. Uma pena.

Bendito sejas!

Abismo do Obscuro disse...

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