11 junho, 2008

Ervas Mágicas dos Índios Americanos



Atenção! As informações contidas nesta publicação são apenas educacionais, não apologia ao uso! Como são informações de fácil acesso na rede não me responsabilizo pelo indevido das informações.

Muitas culturas pré-colombianas adotaram o uso de "beberagens" e plantas "mágicas". Para esses povos o uso das plantas era sagrado, pois acreditavam que através da ingestão de ervas alucinógenas poderiam entrar em contato com os Deuses e com os Espíritos Ancestrais. Os rituais eram também um fator de integração coletiva e de evolução espiritual. Ingerindo as plantas "mágicas", os índios acreditavam que podiam receber ou absorver o espírito da planta e, em transe, tinham experiências psíquicas e vivenciavam fenômenos paranormais, tais como a telepatia, a regressão a vidas passadas, contatos com os espíritos dos seus antepassados mortos, presciência e visão à distância. Vários relatos apontam ainda que alguns feiticeiros e xamãs realizavam esses rituais com as ervas "mágicas" para descobrir tipos e origens de moléstias e assim poder saber como tratá-la. Na Amazônia brasileira muitas dessas tradições ainda são mantidas.




As ervas ou plantas, mais difundidas pelos nativos foram (e são):

Ayahuasca ou Yagé - no Brasil e regiões a leste dos Andes. Também conhecido como: Caapi, Natema, Ppinde, Yaje-ahe Malpiguácea Liana, Banistesiopsis Caapi. Esse chá é muito usado em rituais religiosos e por aproximadamente setenta e duas tribos indígenas da amazônia.

O chá é composto basicamente de duas plantas naturais encontradas na floresta Amazônica, o cipó e folhas rubiáceas. 
Tradicionalmente o uso da ayahuasca existem em vários países como: Peru, Equador, Colômbia, Bolívia e Brasil. 
Aqui no Brasil, ouvimos muito falar desse chá no ritual religioso de Santo Daime, A Barquinha e a União do Vegetal. 
Sabe-se que o uso começou entre 1500 e 2000 antes de cristo. 
Devido a polêmica que ronda o assunto, muitas pessoas ainda tem muito preconceito, mesmo sem saber ao fundo sobre o que é o chá Ayahuasca, simplesmente se deixam levar pelos comentários alheios.

Modo de Preparo da Ayahuasca: Os métodos de preparo variam muito conforme a tradição de cada tribo, religião e povos.  
Há receitas que levam aproximadamente de duzentas á trezentas tipos diferentes de plantas.  
No entanto, sabe-se que a mistura mais usada pelos índios é o cipó conhecido como Jagubi ou Mariri e as folhas da chacruna, mas há diversas formas de efetuar a mistura, que tem base em uma planta que contém o DMT, que é a substância psicoativa, e uma outra planta, inibidora da enzima MAO que o corpo produz.  
O básico da preparação é a mistura total dos ingredientes, ou fervidas, ou batidas e coadas, formando um líquido de cor amarronsada, que será dada as pessoas para beber.  
Em alguns rituais religiosos eles deixam o liquido descançarem por alguns dias para que a mistura fique mais concentrada e decantada. 

Efeitos da Ayahuasca: Não há relatos nem dados científicos que indiquem qualquer dano ou risco a saúde física de seus usuários.  
O que se sabe é que essa substância pode causar alucinações, momentos de transes psíquicos, o que para os defensores do uso isso não existe.  
Eles não aceitam em hipótese alguma que o chá seja alucinógeno,e sim dizem apenas que se alteram um pouco, mas nada que fuja do controle, e apenas entram em momentos de êxtase.  
Mas há estudos que confirmam e muitos relatos de usuários, que há uma introspecção com o próprio eu de cada um, fazendo com que a consciência individual seja expandida a niveis ainda desconhecidos por muitos de nós, devido a estimulação da glândula pineal que produz o DMT, a mesma substância da planta que ativa um estágio de quase morte para o corpo.  
Na verdade, pouco se sabe sobre essa glândula na medicina, porém os índios sabiam estimulá-la muito bem, e na literatura atual da medicina, somente sabemos que o DMT é criado pelo corpo no momento do nascimento, na puberdade e momentos antes da morte, como uma auto defesa do corpo pelo trauma que o corpo irá sofrer.  
Enfim, ainda nos dias de hoje há muitos mistérios em torno do uso do chá da Ayahuasca, que sem dúvida nenhuma, sempre existirão, afinal as receitas dessa mistura nunca são reveladas completamente.

Cactos de San Pedro - na Bolívia e no Peru. O cacto San Pedro (Trichocereus pachanoi) é uma das plantas alucinogénicas mais velhas que se conhece nas Américas.
Este tipo de cactos é original do Equador e Peru, onde ainda cresce nas montanhas de grande altitude. 
Este é um cacto de crescimento rápido e possui forte raízes. Na natureza o cacto San Pedro continua a crescer até cair com o seu próprio peso. O cacto caído criará novas raízes e produzirá novos brotos. 
O alcalóide activo mais importante presente no cacto San Pedro é a Mescalina. O cacto San Pedro contém um pouco menos de Mescalina que o cacto Peiote (Lophophora williamsii).


As raízes dos cactos são superficiais e muito numerosas, mas o preparo do solo em profundidade de mais de 15 cm é necessário, para garantir uma boa drenagem de águas de chuva ou regas. 
Para cultivo em vasos o fundo do recipiente deverá ser preparado com cacos de vasos brita ou manta geotêxtil ( manta de não tecido, usada para filtro de ar, coifas e ar condicionado) para evitar a compactação da terra no furo de drenagem, ocasionando encharcamentos. 
Adicione um pouco de areia antes de colocar o substrato. 
A mistura a ser colocada deve ter boa drenagem, alguma fertilidade e moderada capacidade de reter água.
A adubação de cobertura poderá ser feita com adubo granulado fórmula NPK com pouco nitrogênio.
Como este nutriente promove o maior crescimento do tecido vegetal, a planta poderá ficar com deficiência de outros nutrientes, ficando débil e sujeita a ataque de fungos e outras doenças. A formulação do tipo 4-14-8 é a melhor e propicia também melhor floração. 
Bandejas de semeadura podem ser adquiridas em lojas especializadas ou então use recipientes como bacias plásticas ou caixas de frutas forradas no fundo com furos para drenagem e encha com substrato feito de casca de arroz carbonizada, pó de coco ou substratos adquiridos no comércio. 
Semear procurando distribuir as sementes, podendo cobrir com areia peneirada ou deixar sem cobertura nenhuma.
A germinação ocorre entre 30 e 45 dias para a maioria dos gêneros. A melhor época de semeadura para os cactos é no verão.
Evite regar a sementeira. Se colocar a bandeja de cultivo dentro de outra com uma lâmina de água esta subirá por capilaridade não sendo necessário molhar.
Para que isto ocorra, a altura do substrato da sementeira deverá ser pequena. 
Para uma mistura de pó de coco e areia, 5 até 6 cm, diminuindo para 4 se o substrato for areia pura.
Parece estranho manter esta umidade, mas as plântulas dos cactos não têm tecidos para armazenar água como nas plantas já desenvolvidas.
Não deixar a bandeja mergulhada na água, retirando após alguns minutos, evitando assim a proliferação de fungos.
Uma bandeja assim umedecida mas não encharcada poderá manter-se por muito tempo sem outras regas.
A observação da umidade do substrato, portanto, é fundamental. 
Esta bandeja de sementes poderá ir para uma estufa ou para quem se inicia na prática, uma cobertura com plástico para manter a umidade.
Após a emergência das plântulas, retirar esta cobertura e manter a bandeja em local ventilado, mas à sombra.
Uma coisa importante: não semear espécies diferentes juntas e marcar o recipiente com o nome da planta. 
Iluminação no cultivo dos cactos
Para ver as pequenas mudinhas crescerem, é preciso ir colocando na luz a cada dia mais.
No Brasil a exposição leste é a melhor, pois o sol ainda não está muito forte e assim inicia a aclimatação das plantas ao sol.
Quando estiverem crescidas, já envasadas ou em canteiros, a luz direta do sol é absolutamente necessária e poderão então ficar expostas ao sol o dia inteiro. 
Temperatura no cultivo dos cactos
Os cactos apreciam altas temperaturas então sabemos que em regiões de invernos muito frios e úmidos a planta terá problemas.
Como já foi comentado, a amplitude térmica não afeta estas plantas, com calor de dia e frio de noite, como nas condições de desertos.O cacto San Pedro pertence ao famoso gênero Echinopsis(antig. Trichocereus), gênero que agrupa os principais cactos sagrados Sul-americanos, geralmente colunares e com espinhos. Maioria dos cactos desse gênero são chamados popularmente de San Pedro (São Pedro), contudo o E. peruvianus é chamado de Wachuma ou Atorcha Peruana em seu país de origem, o Peru. 
Reprodução dos cactos por sementes
Os cactos desenvolvem-se em geral em solos arenosos, pedregosos e secos.Para a reprodução de seu solo de origem deveremos usar substratos que não retenham água, como areia, cascalho, cascas de árvores decompostas e composto orgânico de folhagens junto com o solo mineral comum de cultivo.

Ipadu - entre algumas tribos indígenas do Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru e Venezuela.  
Com a chegada dos espanhóis o consumo se estendeu por toda a zona dos Andes porque a coca diminuía o apetite e aumentava o rendimento de trabalho dos índios. Desta maneira, a coca foi perdendo seu caráter religiosos e mágico. Os índios sempre cultivaram pequenas roças de Ipadu para o consumo próprio. Diariamente colhiam as folhas e as secavam em uma espécie de forno, depois as maceravam e o pó resultante era misturado com cinzas de folhas secas de Embaúba (Cecropria sp.) pulverizadas.
O produto final era tomado oralmente depois de misturado com algum tipo de bebida liquida. O ritual dos índios Hupda, por exemplo, consistia em tomar a poção antes de se reunirem no que eles chamavam de "roda dos homens", quando a beberagem começava a surtir efeito os índios iniciavam as discussões do dia sobre os problemas da tribo e esperavam poder solucioná-los com a ajuda dos espíritos que invocavam através da ingestão do Ipadu. Podemos observar claramente que o Ipadu tinha também, e ainda tem, um importante papel na socialização. Estima-se que existem mais de 200 espécimes de Erythroxylum Coca e que apenas 17 delas podem ser usadas para produzir cocaína. Quinze desses 17 tipos contém muito baixos níveis do alcalóide ativo, a cocaína, e são cultivados na América do Sul, ao norte da Colômbia, na Bolívia e no Peru, e no Brasil.

Jurema - na caatinga nordestina (Brasil). A Jurema (Mimosa hostilis), também conhecida como "Jurema-preta" é uma planta nativa das regiões semi-áridas do Brasil. É uma árvore que chega a ter de 4 à 6 metros de altura, tronco ereto, castanho-vermelhada,com presença de espinhos curtos.
Algumas tribos indígenas brasileiras (especialmente as tribos do interior da Bahia, Pernambuco e Paraíba, isto é, do Sertão brasileiro) tem usado a Jurema em seus rituais sagrados. Eles bebem uma poção feita com as raízes da Jurema, cujo principio ativo é o DMT, e essa bebida é preparada com aguardente (um destilado feito de cana de açúcar) e alho.
Os índios se reúnem sentam em torno da Jurema e depois de ingerir a bebida entram em "transe", um estado alterado da consciência. Os nativos acreditam que ao entrarem em "transe" a via para a comunicação com os deuses que lhes transmitirão a magia da cura e as respostas para todos os seus questionamentos, serão abertos.

Peyolt ou Peyote - no México e EUA. O Peyote (Lophophora Williamsii), também conhecido como peyotl e jículi, é um cacto de forma esférica e de raiz longa e cônica. É comumente encontrado nos altiplanos do México e também nos Estados Unidos.
Esse cacto era usado tradicionalmente nos rituais religiosos dos índios mexicanos e seu consumo estava intimamente relacionado às praticas religiosas. Diz-se que os primeiros a usarem o Peyote foram os índios Huicholes e os Tarahumaras que, assim como algumas outras tribos mexicanas, o elevaram a categoria de Deus nomeando-o de "Jículi". O mais antigo pedaço de Peyote seco foi encontrado no Texas e foi datado como tendo aproximadamente 7000 anos. Posteriormente, a pratica da ingestão do Peyote foi difundida entre os índios das planícies norte americanas. O cacto era comido seco ou ingerido como chá.
A substância ativa do Peyote é a Mescalina que possui propriedades enteogêneas, produz uma grande sensação de alegria e também aplaca a fome e a sede. Seus principais efeitos são: a liberação da ansiedade e uma sensação de unidade com o "todo" e com o próximo. O consumo do Peyote nos rituais sagrados permitia que os índios "contemplassem o outro mundo" e que entrassem em contato com os seres divinos ou com os ancestrais. Eles tinham visões sobre seus questionamentos e as respostas para os mesmos.
Os índios ainda acreditavam que o Peyote era uma dádiva do criador, uma via de comunicação direta com o "Grande Espírito". Chacrona ou Rainha.

Cogumelos alucinógenos  - Em toda América. As drogas alucinógenas são aquelas que afetam diretamente no cérebro e os sentidos, o que causa alucinações e delírios, fazendo com que a pessoa veja, escute, cheire ou até mesmo tente tocar coisas que não existem. Grande parte das drogas alucinógenas vem da natureza, principalmente das plantas e cogumelos. Essas plantas já foram descobertas a muito tempo, na antiguidade e os usuários as consideravam plantas divinas devido aos efeitos causados. E, até hoje algumas culturas indígenas de vários países usam essas plantas de modo religioso, ainda levando em consideração seus efeitos.
Existem quatro gêneros de cogumelos alucinógenos: Psilocibe, Panaeolus, Capelandia e Amanita. No Brasil são encontrados dois gêneros que são o Psilocibe e também o Panaeolus, porém o tipo mais conhecido é o do gênero da Amanita e em especial a Amanita muscaria. Eles são coloridos e tem efeito semelhante a droga LSD, porém mais brando e de duração mais curta.
As drogas alucinógenas causam muitos efeitos, no entanto não são fáceis de prever, pois os efeitos diferem de pessoa pra pessoa . Os efeitos começam em cerca de uma hora após ter usado a droga e acaba ficando mais forte após três ou quatro horas e pode durar até 12 horas após o uso. Entre os efeitos estão no som e na visão, como ver cores muito brilhantes e também ouvir sons bastante agudos, algumas pessoas até se confundem vendo sons e ouvindo cores, pois os sentidos se atrapalham, o tempo também passa bem devagar, mudanças emocionais, cansaço, náuseas ou vômitos, problemas de coordenação, o humor também varia com altos e baixos.
Existem também as viagens más, mais conhecidas como “bad trips”. Algumas vezes os efeitos dos alucinógenos são negativos como: medo, angustia, pânico, alucinações que causam desespero na pessoa e também o medo de perder o controle e ficar louco.
Não existe ainda nenhuma evidência que alucinógenos causam dependência. Isso talvez se deve ao fato de que se uma pessoa vier a usar todo dia um alucinógeno não se terá mais o mesmo efeito, mas sim depois de no mínimo uma semana de intervalo. Existe grande risco de acidentes com pessoas que usam alucinógenos pelo fato dos sentidos se atrapalharem. Há também um grande risco com quem mistura alucinógenos com álcool ou anfetaminas, pois o efeito pode aumentar muito. A ingestão de cogumelos errados pode causar intoxicações e até serem fatais.

Chacrona Viridis - O principio ativo da Chacrona é o N-dimetill-triptamina (DMT). A Chacrona, também conhecida no Brasil como Rainha, pertence à família das Rubiáceas, assim como o Café. Suas folhas, por terem grandes quantidades de DMT, são utilizadas para o feitio da Ayahuasca.

Mescalina - A Mescalina é uma substância alucinógena e o principio ativo do Peyote, do cacto de San Pedro e de alguns tipos de cogumelos. Para obtê-la basta cortar o cacto e secá-lo. Depois de seco, transformamos em um pó que pode ter colorações do branco até o marrom. Tradicionalmente era utilizada pelos índios como chá. A dose mínima de Mescalina deve ser equivalente a 100 gramas. Uma dose capaz de criar visões alucinógenas deve ter, pelo menos, 27 gramas de Peyote ou cacto de San Pedro seco, o que equivale a 300 mg de Mescalina. A Mescalina produz os mesmos efeitos que o moderno LSD.

Harmaline e Harmala - Harmaline e harmala são alcalóides de princípios ativos idênticos e que podem criar alucinações a partir de doses de 300 mg. Ambas contêm beta-carbolinas e tem sido usada por seus efeitos psicoativos. São encontrados no Peganun harmala (Syrian rue) assim como no cipó Banistesiopsis caapi ou Yaje-ahe Malpiguácea Liana, da Amazônia.
As plantas que contém harmala e harmaline podem ser tomadas sozinhas, isto é, sem adição de outra planta e produzem efeitos psicológicos e alucinógenos que podem durar até duas horas. As bebidas contendo ambos o DMT e os alcalóides harmala agem mais rapidamente e produzem efeitos alucinógenos visuais de maior impacto.

Syrian Rue ou Peganun harmala - Conhecida desde a Antigüidade, a Syrian Rue pertence à família dos Zygophyllaceae. Embora seja nativa da Ásia Central e Síria, também é encontrada na Europa e África, Ásia Menor e Tibete. Possui sementes marrons e amargas que contém beta-carbolinas de idêntico valor as encontradas nos cipós de Banistesiopsis Caapi.
A Syrian Rue era empregada na medicina popular pelos turcos e persas. Os egípcios a usavam para preparam o que chamavam de "Poções do Amor. Alguns estudiosos afirmam que a Peganun Harmala é a” Haoma “ou” Soma “dos antigos persas e dos Hindus”.

Um comentário:

Shakti disse...

Ola. Estou interessada para falar com voce sobre plantas brasileiras. Eu tentei alguns: a Marapuama, Damiana e Macca. Eu quero saber se no Brasil existem lojas que vendem ervas ayurvédica(tratamento herbal). Obrigada !